Moda Minimalista

abril 8, 2010

Sendo a moda repleta de extremos e contradições, nada mais justo que uma resposta contrária aos excessos visuais causados pelos ombros marcados, brilhos, cores fortes e exageros em geral, tendências que fazem parte do revival dos anos 80. O outro lado da moeda, a moda minimalista, preza uma cartela de cores neutras, estética clean, e silhueta consciente, enxuta e perfeita — este último adjetivo dá-se graças à alfaiataria e suas linhas sofisticadas e arquitetônicas. Gosto da tendência porque, além de ser um exercício de bom senso, despe a roupa de todos os elementos extras e a trabalha em seus alicerces: as formas, o acabamento, a modelagem. 

O mininalismo é considerado a tendência mais inovadora e relevante das últimas temporadas, devido ao sucesso da coleção de verão 2010 de Phoebe Philo para a marca francesa Céline. Mas engana-se quem acha que esse movimento de “limpeza visual fashion” característico dos anos 90 está sendo revisitado apenas agora: desde 2005 e 2006 modelagens mais justas e peças que remetem a um estilo mais clássico vem aparecendo nas passarelas. Na última temporada, ela influenciou até as coleções de pre-fall de marcas como Chloé e Stella McCartney, lembram? 

Quem não tem afinidade com peças clássicas não precisa se preocupar: o minimalismo não é sinônimo de chatice. O mix entre as texturas das roupas, ou uma peça com silhueta ajustada em cores fortes, por exemplo, atualiza e deixa a produção mais interessante. Hits da temporada como saias em couro ou shorts de alfaiataria podem aliar-se não só às boas e velhas camisas brancas mas também às rendas, babados e cintura marcada, que dão o toque feminino e equilibram o mood mais sério. Mas lembre-se de deixar seu maxi colar e outros múltiplos acessórios em casa: afinal, para o lado minimalista da moda, less is always more.

Quer ler mais sobre o minimalismo nas últimas coleções? Cathy Horyn no NYT e Sarah Mower no Telegraph.

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Entendendo Ronaldo Fraga

janeiro 20, 2010

Moda não é apenas roupas. É personalidade, história, passado, futuro, pesquisa, estudo, “é o cérebro por fora” como disse Maurício Azevedo. É informação variada, traduzida em tecidos, texturas, cortes e silhuetas. Para quem quer escrever sobre ela, a leitura de textos como esse, esse e esse é importantíssima, pois desafia a aprender e entender o que está por trás da moda vista para no final escrever bem de verdade (do ponto de vista da crítica).

Enfim. Hoje pela manhã fui ver fotos da SPFW. Deixei Ellus, um dos meus favoritos, pra depois, e pulei para Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga. Gostei dos 2 primeiros – mas foi Ronaldo Fraga quem mais chamou a atenção, pela coleção aparentemente sem pé nem cabeça – ou melhor, de virar a cabeça: rostos eram cobertos com cabelo e mascáras estavam atrás. Hã? Mas, istigada por Vitor Angelo, Sylvain e as Oficinas, fui buscar aprender para tentar compreender a passarela de Ronaldo.

Sua inspiração foi Pina Bausch, coreógrafa e bailarina alemã de dança moderna. Suas coreografias, eu descobri, tratavam de sentimentos, indo desde a comunicação entre os sexos até a busca pelo amor — tudo com muita expressividade corporal. E aí, depois de aprender sobre ela, comecei a entender a ele; ficou mais claro de onde saíram os vários cravos presentes na coleção, as cadeiras que estavam por todo o lado, o porquê do choque feminino/masculino na combinação de vestidos com ternos e coletes e calças e sapatos masculinos.

Em meio a tantos elementos sensitivos, Ronaldo não deixou de ser atual, com peças brilhosas, volumes nos ombros, laços, transparências ocasionais, cores fortes, o encontro de peças dela com as dele, e silhuetas amplas. Achei o desfile interessante. E interessante também foi ver que meu olhar final sobre a “esquisitice” do desfile diferia com o anterior (o olhar do não-entendimento). Só depois de pesquisar as referências compreendi o que vi na passarela; mais ou menos como os modelos, que andaram para frente olhando para trás…

Recomendo o exercício a todo mundo que quer ter um melhor olhar sobre a moda. Afinal, ela fica muito mais interessante quando a entendemos, não?